Doença Crônica

Atualmente é comum encontrarmos nos edifícios patologias como fissuras, infiltrações, corrosão de armaduras, dentre outros diversos problemas que preocupam a vida dos moradores e usuários dos imóveis, sejam eles residenciais ou comerciais.

Estas patologias muitas vezes são decorrentes não só de falhas de execução, mas também de erros na concepção da estrutura. Podem então ter origem no projeto arquitetônico, no lançamento da estrutura, na execução dos anteprojetos, ou até mesmo durante a elaboração dos projetos finais de engenharia (arquitetônico, estrutural, elétrico, hidráulico, etc.).

De certa forma, quanto mais cedo é “realizada” a falha em um processo de construção civil, maiores serão os custos para a resolução do problema, ou seja, os dispêndios com a recuperação serão diretamente proporcionais à idade do erro.

Além disso, as falhas provenientes de etapas preliminares do processo de construção ou de anteprojetos inadequados proporcionam também um encarecimento em toda a obra e transtornos relativos a logística do canteiro de obras. Por outro lado, os problemas decorrentes do projeto final de engenharia geralmente são responsáveis pelas patologias que surgem como a maior dor de cabeça dos síndicos e administradores de condomínios.

Dentre as falhas mais frequentes geradoras de patologias podemos relacionar: tempo escasso para execução dos projetos, má definição das cargas atuantes da estrutura, falta de definição do tipo de utilização do imóvel, deficiência no cálculo da estrutura, avaliação errônea do solo de fundação da construção, falta de compatibilização entre a estrutura e a arquitetura (bem como entre os demais projetos de um imóvel), especificação inadequada dos materiais de construção, detalhamento insuficiente, errado ou até mesmo fora da realidade executiva, falta de padronização das nomenclaturas, representações e convenções dos projetos, erros de dimensionamento estrutural, elétrico e hidráulico, dentre outras muitas outras falhas.

Sendo assim, podemos garantir que muitas estruturas nascem já doentes, com problemas que, em um curto espaço de tempo, causarão sérios danos à estrutura, sendo na maioria dos casos dispendiosos. Por uma falta de reciclagem e modernização dos conceitos de projetistas, ou até mesmo por erros banais ocasionados pela pressa característica da construção civil brasileira, o importante é que as patologias estão surgindo e de uma forma cada vez mais contundente.